O Que um Botãozinho Pode Fazer


A arte de Milo Manara sempre foi apreciada por todos os tipos de fãs de quadrinhos. Mas certamente é os de gênero erótico que fizeram o autor italiano ser ainda mais reconhecido nesse universo. Uma de suas empreitadas mais conhecidas e reverenciadas no ramo é a série Clic (Il Gioco), que contou com quatro volumes, lançados nos anos de 1983, 1991, 1994 e 2001.

A história é um pouco bizarra, mas válida, já que estamos falando de um quadrinho erótico. 

Claudia Christiani é uma dama recatada, casada com um velho rico. Dona de um pudor exagerado, a nobre aristocrata faz parte daquele grupo de senhoritas puritanas que recusam qualquer pensamento indecente que vem a cabeça. 

Ao sentir repulsa pelos assédios do doutor Fez, amigo de seu marido, Claudia tem a vida destroçada ao ver seus desejos mais obscuros saírem de seu controle. Como vingança, o doutor conseguiu fazer com que através de um simples aparelho, a jovem Christiani se transformasse em uma ninfomaníaca sedenta e insaciável.

Buscando livrar a mulher da "doença", o marido de Claudia (que mesmo cheia de tesão, em momento algum assedia o velho huahua) descobre sobre a existência do aparelho e que ele só funciona se o controle remoto estiver relativamente próximo a ela. Sabendo disso, ele manda a esposa para lugares longínquos com um guarda-costas para investigar quem está controlando a líbido da mulher.


Sem spoilers, o momento mais alto da trama é quando a moça, levada por seus desejos, chega ao ponto de colocar uma vela dentro do ânus. O que, na verdade, não é algo absurdo. Afinal, o ser humano, quando está possuído por seus instintos sexuais, faz coisas que nem Deus acredita...

O problema é que havia um certo diamante escondido dentro da vela, que a filha do dono de um Hotel estava procurando. 

Com isso, já é possível imaginar a baixaria que acontece e como a trama se desenrola. Os risos involuntários durante a leitura, assim como a líbido da moça, são impossíveis de se controlar.

Engana-se quem pensa que o primeiro título da série é recheado de pornô barato e desnecessário. Há uma certa preocupação em não interferir o bom andamento da história, principalmente, se analisarmos que todos  as "cenas de sacanagem" foram muito bem pensadas e colocadas justamente em momentos-chave do roteiro.

A arte discreta e requintada de Manara é um fator preponderante para não banalizar o enredo e transforma-lo em uma espécie de instrumento para masturbação de marmanjos.

Com uma quantidade de momentos curiosos e exóticos, ler os quadrinhos é algo rápido e prazeroso. A grande sacada de Clic é justamente observar as horas em que a moça vai se despir, abrir o maior escândalo e ver a reação do pessoal em volta.


Já a continuação dessa primeira parte não chega a ser tão interessante, mas traz em si muito dos elementos que consagraram a série, como os belos desenhos do artista e as cenas fetichistas ainda mais provocadoras e intensas.

Agora, Claudia é uma respeitada ecologista e repórter de televisão. Depois do episódio anterior, ela tenta reconstruir a vida profissional com a ajuda de seu tio, um tipico senador moralista.

O que a jovem não contava no meio desse recomeço, era com a terrível volta do aparelho, que pode estragar todo o prestigio que ela conquistara até então.

Nas mãos de um sujeito parecidíssimo com o ator James Dean, Claudia é vitima mais uma vez de seus impulsos obscenos que agora parecem ter voltado muito mais forte que antes.

Nessa segunda parte da série, a humilhação e dominação se tornam os elementos sexuais que Manara mais explora durante o quadrinho. Entretanto, a história perde um pouco de seu humor e esperteza.

Dando espaço, mesmo que de maneira tímida, ao nu masculino, as cenas agora são mais fortes para evidenciar a explosão incontrolável dos desejos de Christiani. O que, de certa forma, acaba atingindo diretamente a qualidade da trama que, devido a enorme erotização, passa a ser só mais uma desculpa para oferecer momentos vazios e imagens sexualmente agradáveis.


Dando sequência, o terceiro ato é o mais insano e surreal de todos. Claudia continua a ser protagonista, mas há a inserção de novos personagens e temas bizarros como uma seita que busca contatar extraterrestres através do orgasmo.

A coisa fica ainda mais inacreditável quando um casal tenta extrair informações de uma moça, fazendo ela falar a verdade com um liquido introduzido no ânus.

O cenário se passa na Amazônia, quando Claudia, como repórter, vai investigar as causas do desmatamento da floresta tropical. Mas, além de encontrar figuras que nunca imaginaria conhecer na vida, a jovem acaba se deparando com o velho aparelho que tanto a atormentou em épocas passadas.

Cheio de cenas grotescas e vergonhosas, Clic 3 é o pior arco da série. A forçação de barra em entregar momentos eróticos curiosos e diferentes resultou em uma trama desconexa e bastante incoerente com a proposta inicial. A preocupação com o pouco de credibilidade que se tinha foi mandada pro espaço e dado lugar a uma espécie de surrealismo erótico, que também é presente em outras obras de Manara, mas que se mostra um grande defeito para tudo o que foi construído aqui até então.


Já o quarto e último episódio é mais pé no chão que o anterior, mas sem a mesma emoção que seus predecessores.

Dessa vez, a trama funciona como uma espécie de reboot. 

Onde Claudia Christiani é novamente uma simples dama recatada que tem sua vida destruída pelo mini aparelho controlador de desejos. 

Dessa vez, as motivações para tal são tão bobas que o roteiro infelizmente acaba se enfraquecendo.

Angelina é a filha de um homem que ficou cego por culpa de um descuido de uma empresa alimentícia. Sem receber sua indenização graças ao marido de Christiani, o advogado da firma, Angelina planeja uma vingança: acabar com o seu casamento armando uma traição por parte de Claudia. Depois de uma tentativa frustrada, Angelina conhece o doutor Fez que lhe oferece o miraculoso aparelho por uma alta quantia... O resto é bobeira.

Se exagero define o episódio anterior, a falta de novidades é o que estraga essa edição. Com uma história morna, poucas cenas realmente interessantes e um final pra lá de brochante, a quarta parte da saga se contenta com momentos simples, diálogos bobos e a repetição das bizarrices empregadas inicialmente.

No mais, a série Clic vale a pena ser conferida, pelo menos o primeiro episódio. Apesar da falta de bom senso em alguns momentos, é um excelente quadrinho para se deliciar com os incríveis desenhos de um mestre dessa arte.

Relembrando Rocketeer


Criado pelo célebre Dave Stevens (1955-2008), em 1982, para uma edição da revista Starslayer, da Pacific ComicsRocketeer é uma das figuras mais estilosas do mundo dos quadrinhos. Um provável resultado da soma entre uma história simples e personagens carismáticos. O protagonista, um típico sujeito confiante e corajoso, mas que, assim como o Batman, carrega em si as fragilidades e debilidades de um humano comum, é o que mais auxilia na identificação dos leitores com a premissa da trama. 

Ambientado na Los Angeles de 1938, ler os quadrinhos de Rocketeer é um prato cheio para os fãs de filmes e seriados de ação e super-héroi dos anos 30 e 40, além dos esquecidos protagonistas de revistas pulp. Com uma pegada de elementos dos filme noir e até aquelas produções de baixo custo do cinema antigo, a impressão é que, mesmo com a preocupação em manter os detalhes da história com os pés no chão, Stevens não fez questão nenhuma em aprofundar a narrativa com seriedade. Até porque a série funciona como uma enorme paródia e caricaturização de tudo o que era visto no universo de super-heróis em meados do século XX. Isso explica bastante a inspiração nas clássicas séries da Republic Pictures King Of The Rocket Man e Commando Cody. 


A premissa é bastante simples: Cliff Secord, um piloto de circo aéreo, encontra um jetpack deixado em seu avião, após alguns criminosos tentarem rouba-lo e serem capturados pela polícia. Precisando de dinheiro para provar seu valor a namorada, Secord decide ficar com o jetpack para arrumar uma grana, mesmo sabendo que o Governo estava em busca do brinquedinho. A partir disso, a confusão começa quando a vida do piloto vira de cabeça pra baixo ao ser perseguido tanto pelo FBI quanto pelos gansters alemães, que querem usar o jetpack como uma arma de guerra.


A união entre humor e ação foi o principio fundamental para o sucesso do quadrinho. O protagonista desengonçado perde a cabeça facilmente quando o assunto é a namorada. Enquanto que o mundo está explodindo por causa do jetpack, a única preocupação de Cliff Secord parece ser conquistar definitivamente a belíssima Betty (e se eu estivesse no lugar dele faria o mesmo...). Em falar nisso, a personagem é uma clara referência a Bettie Page, rainha dos pin-ups e sonho de muito marmanjo dos anos 50. 

O desespero por Secord em não perder a namorada é um dos pontos centrais da trama. A ideia é usar o foguete para conseguir dinheiro e tirar ela das mãos do tarado fotógrafo de Holywood, que lhe prometeu fama e fortuna. Tudo com segundas intenções, é claro. No começo, o amor da donzela pelo protagonista é duvidoso, mas se mostra verdadeiro conforme o decorrer da trama. Além disso, o piloto contará com a ajuda do conveniente Peevy, aquele tipico aposentado gênio, que entende de tudo, até consertar uma invenção feita por uma tecnologia exclusiva do Governo. 

A editora HQM lançou um encadernado especial chamado As Aventuras Completas. Uma excelente pedida para quem conhecer as origens do herói e entender como o a história consegue ser tão boa mesmo depois de mais de 35 anos. Apesar do tempo, arte de Stevens conseguiu se manter atual e ainda impressionante. No encadernado, é possível conferir também as capas originais, além de ter em mãos as histórias completas feitas pelo desenhista.

Vale ressaltar o último arco presente na edição, que conta a história da pequena anã Teena, morta em uma apresentação de um circo em que Secord fazia parte. Um velho amigo (muito parecido com o ator de filmes de terror Rondo Hatton) voltará para vingar a morte da garota, buscando assassinar todos os que fizeram parte da atração, inclusive Secord.


O quadrinho também recebeu uma adaptação pela Disney em 1991. Como é de esperar, muito do conteúdo maduro que fez sucesso na HQ foi retirado da trama, a infantilizando para agradar o grande público. Mas ainda assim é uma produção bem feita, capaz de fazer os fãs menos exigentes se degustar com as referências à HQ. Curiosidade: o longa foi dirigido por Joe Johnston, o mesmo diretor de Capitão América: o Primeiro Vingador.

TAG 90 Coisas Sobre Mim (From Mais Um Ponto No Universo)

90 coisas sobre o Jules?

Que chato! Gosto de falar de tudo menos de mim. 

Mania de pseudo-escritor... Você escreve sobre coisas fictícias, não sobre a realidade.  A realidade é chata e previsível. É um enredo com final triste. Sem mocinha, sem mocinho, sem vilão. Não há coadjuvantes. Na realidade, todos buscam a atenção, todos querem ser o protagonista.

Por isso e muitas outras, falar sobre mim é um peso sem tamanho.

Dando uma pausa na filosofia... Resolvi responder as 90 perguntas por dois motivos: o primeiro, como o blog é "recente" acho propicio os pouquíssimos leitores que entrarem aqui saberem um pouquinho mais de quem escreve; o segundo, é que quem fez as perguntas foi a minha irmã, Yuu-Chan, do Blog Mais um Ponto No Universo. Entrem lá!

QUAL FOI SUA...

1) Última bebida: 
Um Uísquezinho de segunda...

2) Última ligação: 
Um sujeito insistente da operadora de internet oferecendo planos.

3) Última mensagem de texto: 
Alguém ainda envia mensagens de texto em plena segunda década do século XXI?

4) Última música que ouviu: 
Colors, do Beck. E odiei.... Adoro o sujeito, mas esse disco não chega aos pés dos anteriores.

VOCÊ JÁ...

5) Saiu com duas pessoas ao mesmo tempo? Tipo encontro? 
Never. Repudio traição. Apesar de não achar os tais "relacionamentos abertos" um absurdo...

6) Foi traído? 
Oficialmente nunca, mas já tive experiência parecida. Fiquei com pessoas que gostava muito e quando soube que ela ficava com outras, me senti estranho... Acho que foi como uma espécie de traição (só na minha cabeça, é claro).

7) Beijou alguém e se arrependeu? 
Sim. Sim. Sim. Sim.

8) Perdeu alguém especial? 
Não sei dizer.. Acho que se é especial nunca perdemos. Até em casos mais extremos como a morte. Quem é especial, é eterno.

9) Ficou deprimido? 
Eu vivo deprimido, mas não por perda.

10) Bebeu muito até passar mal? 
Háhá! Todo dia. Sempre que tiver dinheiro na carteira. E convenhamos, sem isso a vida não tem sentido.

LISTE 3 FILMES FAVORITOS:

11) Blade Runner
12) The Rocky Horror Picture Show
13) Saving Private Ryan

BONUS: Monty Python's Life Of Brain

DESDE O ANO PASSADO VOCÊ...

14) Fez algum amigo novo: 
Sim, muitos. Mas ainda a solidão permanece imbatível.

15) Se apaixonou: 
Infelizmente sim.

16) Riu até chorar: 
Sim! E chorei até rir.

17) Conheceu alguém que mudou sua vida: 
Sim, me fez ver que não preciso me esconder.

18) Descobriu quem são seus melhores amigos: 
Essa coisa de melhores amigos não existe, morô?

19) Aprendeu alguma coisa nova importante? 
Sim. Eu sou melhor do que imagino.

20) Beijou alguém da sua lista de amigos do Facebook: 
Não tenho Facebook. O Mark Zuckerberg quer ver meu corpo nu.

GERAL:

21) Quantas pessoas do seu Facebook você conhece pessoalmente? 
Não tenho.

22) Você tem algum animal de estimação? 
Não.

23) Você mudaria seu nome? 
Sim. Com certeza.

24) O que você fez em seu último aniversário? 
Bebi um pouquinho...

25) Que horas acordou hoje? 
5 e meia da manhã.

26) O que estava fazendo ontem à meia noite? 
Lendo 1984, de George Orwell.

27) Está assistindo algo no momento? 
Não. Estou sem tempo, mas vou sentar para ver aquele tal de Westworld.

28) O que é algo que você não vê a hora de acontecer? Atualmente? 
Crescer...

29) A última vez que você viu a sua mãe
Ontem a noite.

30) O que você gostaria de mudar em você mesmo? 
Tudo.

31) O que você está ouvindo agora? 
O barulho do silêncio.

32) Você conhece alguém que tem um nome muito estranho? 
Não.

33) O que mais te irrita? 
Quando ignoram meus sentimentos.

34) Página mais visitada na Internet: 
Youtube

35) Apelido: 
Confidencial..

36) Signo do Zodíaco: 
Câncer

37) 1° grau: 
Não lembro de nada.

38) Colegial: 
Foi um sofrimento.

39) Faculdade: 
Não vejo a hora de terminar.

40) Cor do cabelo: 
Castanho escuro, mas vou mudar pra preto com mecha vermelha.

41) Comprido ou curto:
Médio. Em breve comprido.

42) De onde você é: 
Não te interessa, maluco.

43) Altura: 
Aacho que é 1,94 cm

44) Você tem uma queda por alguém?
Queda? Estou no chão há tempos e até agora não me levantei.

45) O que você mais gosta em você? 
Meu cabelo.

46) Tem piercings? 
Não.

47) Tatuagens? 
Vou fazer uma.

48) Sabe dirigir? 
Sim.

PRIMEIRAS VEZES...

49) Primeira cirurgia: 
Braço direito fraturado.

50) O que comprou com seu primeiro salário? 
Um console portátil.

51) Primeira melhor amiga (o): 
Não tenho melhor amigo.

52) Primeiro amor: 
Hum.. Uma garota chamada Paula. Era ruiva. A coisa mais linda do mundo.

53) Primeira viagem com amigos: 
Não tô afim de contar.

O QUE VOCÊ...

54) O que você tem visto na TV: 
Não assisto televisão.

55) Último filme que você viu: 
Space Station 76

56) O que você tem comido: 
Hum..comida

57) O que você tem bebido: 
Bebida fermentada e destilada. Sempre.

58) O que você vai fazer quando terminar de responder? 
Hum.. almoçar?

59) O que você tem ouvido (música): 
Vários artistas de indie rock. Porém, Kraftwerk tem tomado o meu tempo mais do que o de costume.

60) O que você espera para amanhã? 
Que o mundo deixe de existir. Já passou da hora.

SEU FUTURO...

61) Quer ter filhos? 
Never.

62) Quer se casar? 
Never.

63) Carreira: 
Chegar a um estágio onde eu possa  me sentir seguro financeiramente. Nunca aprisionado.

O QUE É MELHOR?

64) Lábios ou olhos? 
Lábios.

65) Abraços ou beijos? 
Os dois.

66) Mais baixos (as) ou mais altos (as)? 
Tanto faz.

67) Mais velhos (as) ou mais novos (as)? 
A mesma idade.

68) Romântico ou espontâneo? 
Os dois.

69) Braços sarados ou pernas saradas? 
Os dois.

70) Beleza ou inteligência? 
Os dois.

71) Relacionamento sério ou só diversão? 
Sério. Mas ando aprendendo o que é ter romances ocasionais.

72) Extroversão ou timidez? 
Depende do momento.

VOCÊ JÁ...

73) Beijou um estranho? 
Sim.

74) Fumou? 
Sim.

75) Partiu o coração de alguém? 
Acho que não.

76) Teve seu coração partido? 
....

77) Foi preso (a)? 
Ainda não.

78) Beijou alguém do mesmo sexo? 
Claro.

79) Chorou quando alguém morreu? 
Até hoje nunca. Não vejo a morte como um motivo para chorar.

VOCÊ ACREDITA EM...

80) Você mesmo (a)? 
Não.

81) Milagres? 
Sim.

82) Amor a primeira vista? 
Sim.

83) Paraíso? 
Sim.

84) Papai Noel? 
Sim.

85) Na fada do dente? 
Sim.

86) Anjos? 
Sim.

87) Almas? 
Sim.

88) ET? 
Sim.

89) Sereias? 
Sim.

90) Deus? 
Sim.

"I Played Your Game"

art artists on tumblr GIF by Declan Ackroyd
"I waited for ya
But now, i don't
You didn't see it
But now, i do...

When the night isn't ready for you
Its a fleeting unothodox view"

Um Suicídio Quantico

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A ciência confere imortalidade àqueles que foram os responsáveis pelo seu avanço em função da humanidade. Newton, Einstein, Sagan... são só alguns exemplos. Mas o preço de um legado desse tipo é consideravelmente íngreme, de fato, em Night Springs.

Episódio de hoje: um suicídio quântico.

Se nossas vidas já estiverem escritas, seria preciso um homem muito corajoso para mudar o roteiro.

Tendo chamado uma conferência de imprensa, o renomado doutor Barclay Colvin está prestes a demonstrar essa coragem.

- Senhoras e senhores da imprensa, eu sou dr. Barclay Colvin, e estou feliz que muitos de vocês tenham conseguido se juntar a mim aqui no instituto hoje à noite. Vou dar uma demonstração prática da interpretação de muitos mundos. Como vocês podem ver, esta é uma pistola de 9 milímetros carregada, que será parte de um experimento teórico, que a partir de agora também é prático, conhecido como suicídio quântico. Por favor, fiquem calmos. Não há riscos. Observe o que ocorre quando eu coloco a arma contra minha própria testa... 

Em uma atitude corajosa, o nobre estudioso aponta a arma contra sua própria cabeça. Ao dar o tiro, todos se surpreendem: a arma não dispara.

- Agora vocês podem pensar que tudo não passou de sorte. Observem o pote de flores...

Diferente do experimento anterior, dessa vez, o tiro foi certeiro.

- E, no entanto, eu mesmo não posso ser atingido por esta arma. Com cada puxão do gatilho, novas realidades se ramificam, uma em que a arma não disparou e a outra onde ela o fez. Assim, com a máquia que criei, ela garante que esta realidade seja sempre a primeira, ou seja, aquela que a arma não dispara. Com isso, ela me concede o que eu chamo de imortalidade quântica. Em nenhuma circunstância essa arma pode me matar.

Falando com tanta firmeza de quem dedicou a vida ao estudo do assunto, a única coisa que o doutor Colvin não previu foi o fato de que um experimento é passível de falha. Um homem, que estava presente na platéia, enrosca o pé em um dos cabos que estavam no chão. Infelizmente, esse cabo era o que transmitia energia para a fabulosa máquina da imortalidade.

Um dos jornalistas interrompe o doutor:

- Então, espere, espere. O que está dizendo é que toda vez que você puxa o gatilho em outra realidade, você morre?

- Sim, sim. Mas isso é completamente trivial, há um número infinito de coisas que podem acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar. O ponto é que essa coisa não pode acontecer aqui, agora. - responde o doutor em êxtase.

- Você é insano! - retruca o jornalista ao entender a ousadia do experimento.

- Insano? INSANO? VOCÊ DISSE INSANO?

Ao perceber que o fio de energia havia sido desconectado, um dos integrantes da platéia questiona:

- Suponho que isso era para estar encaixado?

Sem dar conta que a máquina havia sido desligada, o doutor Colvin prossegue em sua demonstração ao apontar novamente a arma para sua cabeça:

- Contemplem a imortalidade quântica!!!...

E assim, o nosso nobre doutor tem sua cabeça perfurada por uma pistola de 9 milímetros. Restando a platéia apenas o pânico e a chance de contemplar uma cena extremamente lamentável.

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Pobre, pobre, doutor Colvin. Condenado por sua própria arrogância ou pela ignorância das massas? Talvez teria sido mais sábio deixar a máquina fechada ou não ignorado os mistérios de cada realidade? A arrogância e a ausência de prudência podem matar o gato, em Night Springs.