domingo, 2 de julho de 2017

Especial - 20 Jogos do Neo Geo Pocket (Color) - Parte 0


Se tem um console com uma biblioteca de títulos que eu praticamente desconheço é o Neo Geo Pocket. Sempre ouvi falar muito bem dos jogos, mas nunca tive a curiosidade de emular e jogar até o fim os grandes clássicos do console.

Fazendo algumas pesquisas para escrever sobre alguns ports de Neo Geo que eu estou jogando no Super Nintendo, acabei me deparando com o fato de que o infame portátil da SNK irá completar 20 anos em 2018. 

O Neo Geo Pocket foi lançado em 28 de outubro de 1998 e teve uma vida sofrida e curtíssima no mercado - menos de quatro anos.

Diante da soberania da Nintendo com o seu Game Boy, recheado de franquias badaladas como Mario e Pokémon, várias empresas tentaram arriscar nesse mercado desde o começo da década de 90 apresentando portáteis tecnicamente superiores, mas sem uma biblioteca de respeito e sempre trazendo o velho problema de pilhas que os aparelhos consumiam rapidamente, atrapalhando de forma considerável o gameplay. Foi assim com a SEGA e seu Game Gear e a Atari com o Atari Lynx.

O cenário não mudaria nem com a chegada da Bandai que, pouco tempo depois da SNK, ainda em 1998, lançaria o  interessante WonderSwan, criado por ninguém menos que o mestre Gunpei Yokoi, o principal inventor da divisão de portáteis da Nintendo - que havia pedido as contas depois do fracasso e vergonha com o bizarro console 3D, o Virtual Boy.

Desiludida do mercado de consoles, a SNK abaixou a bola e tentou apagar a fama de que fazia jogos só para ricos. O Neo Geo Pocket era mais acessível que seus irmãos mais velhos.

O plano era lutar com a mesma técnica de quem estava ganhando. Com uma arquitetura simples, o NGP veio exatamente com a pretensão de derrubar o portátil da Nintendo e firmar de uma vez por toda a SNK no mercado de hardwares.

Não foi o que aconteceu.

Com bons títulos exclusivos, o aparelho falhou considervalemente na missão de levar os jogadores de portáteis a níveis de experiências mais sólidos. As thirds não o apoiaram devido a alta base instalada da concorrência e a SNK não soube criar um marketing agressivo e convincente nos principais mercados mundo à fora. Só pra se ter uma ideia, a primeira versão do NGP foi vendida apenas no Japão e em alguns locais da Ásia.

A coisa só viria a melhorar um pouco, em 1999, com o lançamento do Neo Geo Pocket Color, a versão em cores do aparelho. Com 14 títulos de estréia no Japão, o portátil parecia ter uma vida longa e saudável com o público gamer do começo do milênio, mas uma série de fatores acabaram destronando qualquer chance de sucesso do pequeno notável em qualquer território.

Nos Estados Unidos, a falta de interesse da SNK em fazer negócios com as thirds continuava. No Japão, o WonderSwan estava se saindo muito bem e tirava qualquer chance do sistema de ficar pelo menos com uma segunda posição. 

Isso se não contarmos a febre de Pokémon em ambos os territórios e os rumores que começaram a surgir dos novos jogos da franquia que sairiam para a próxima linha de Game Boy, o Game Boy Advance.

Com uma biblioteca limitada, mas de respeito, o NGPC foi elogiado pela qualidade da tela, dos botões e a excelente duração da bateria, que durava cerca de 35 à 40 horas.

Sem bloqueio regional, o console foi criado para se jogar horizontalmente, semelhante ao Game Gear e, assim como os outros portáteis da época, não possuía iluminação própria. 

Uma das maiores novidades que o NGPC trouxe para a história dos videogames em geral foi a parceria inédita entre a SEGA e a SNK.

Talvez a única grande third party a dar suporte ao aparelho, a SEGA, completamente frustrada depois de sofrer com o Game Gear anos atrás, desistiu do mercado de portáteis e transformou o NGPC em uma espécie de filho adotado ao prover uma conexão direta entre ele e o moribundo DreamCast.

Com certeza, um dos maiores frutos dessa curiosa parceria é o Sonic Pocket Adventure, segundo jogo do ouriço fora de alguma plataforma SEGA - o primeiro foi Sonic Jam para o Game.Com, mas quem tem bom senso nem considera aquela aberração um jogo...

Ganhando uma versão "slim" só no Japão, chamada de New Neo Geo Pocket Color, o console foi oficialmente descontinuado pouco tempo depois devido a todos esses fatores contrários acima mencionados.

A SNK já estava mal por ter segurado a barra do Neo Geo por tantos anos. Falhar com o NGPC foi o seu túmulo. A empresa faliu e foi comprada pela americana Aruze, em 2000, do ramo de pachinkos.

Curiosamente algo parecido também aconteceria com a SEGA um tempo depois.

Concluindo...

Não conheço muita coisa do aparelho, mas vou tentar trazer os 20 jogos menos óbvio do NGPC. Como é um especial, pretendo trazer os jogos de quinze em quinze dias, pelo menos duas vezes por mês.

Vamos ver se eu consigo...

Até o final da série já estaremos perto de comemorar oficialmente o aniversário do portátil. Por isso, vou me dedicar a zerar os títulos e fazer uma pesquisa legal para não falar asneiras aqui.

2 comentários:

  1. Esse portátil é muito bom mesmo! E olha que eu falo por emulação, imagine que legal ter um nas mãos. Dos games que testei o que me chamou atenção é o poder dos gráficos dele e uma jogabilidade muito suave em games de luta. Joguei pouco, mas gostei muito. Pena que ele é repleto de jogos em japonês e que exige leitura de texto... até tem jogos que não dependem de texto mas são poucos. Boa sorte com o portátil Jules!

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  2. Mano, nem conheço direito esse aparelho também. Ansioso pela série.

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